Rafael Nicolela

Na última reunião mensal do nosso Grupo de CIOs do Rio Grande do Sul prestamos uma justa homenagem a Eduardo Werneck, ex-CIO da Refap que se aposentou recentemente e é o primeiro membro do grupo a atingir este status.

Durante seu agradecimento o colega Werneck – que havia ficado alguns anos longe da TI quando foi convidado a assumir a posição de CIO da Refap –  fez um comentário que me chamou a atenção: “Vocês não imaginam o quanto a TI havia se modificado naqueles poucos anos!!” .

Esta frase me fez pensar na dificuldade que os profissionais de TI enfrentam para manterem-se atualizados. Este é um desafio para qualquer profissional, mas arrisco dizer que estamos militando em uma área da administração particularmente demandadora.
Basta pensar como o cenário de tecnologia mudou nestes últimos 10 / 15 anos!

Provavelmente a mudança central tenha sido o advento da internet. Seu surgimento trouxe inúmeros conceitos e produtos de tecnologia, voltados a suportar os novos modelos de negócio do mundo WEB – SaaS, SOA, WebServices, XML, Java, Orientação a Objeto, UML, Cloud Computing, Virtualização, Web 2.0, Wikis, Blogs, Redes Sociais, Instant Messaging, Mobilidade, Voip, etc.  Estas tecnologias fizeram o conhecimento anterior virar pó… Para quem ainda não leu, recomendo a leitura do livro “The world is flat”, de Thomas Friedman, que nos seus primeiros capítulos apresenta  uma síntese muito interessante da evolução da TI e do mundo de Negócios.

Foi neste período de grandes mudanças tecnológicas que a maioria dos CIOs hoje em atuação foram alçados a posição de líderes.  
Nosso desafio nestes anos foi muito maior do que “estarmos atualizados, prontos a aplicar as novas tecnologias”.

O desafio foi (e tem sido) mobilizar as equipes da empresa a INOVAR os processos e modelos de negócio, transformando toda esta tecnologia em propostas de VALOR; obter o apoio financeiro da empresa para concretizar as inovações; criar a cultura de gestão de projetos para que as iniciativas fossem levadas a cabo com sucesso; criar a cultura de serviços para que a entrega dos novos sistemas se desse com a performance acordada; criar elementos para garantir o alinhamento estratégico de tudo isto; e ainda gerir os custos que aumentavam sem parar!

Isto é, tivemos que nos transformar em Gestores!

Há 10/15 anos atrás a maioria de nós não tinha noção da amplitude da gestão.  A geração de “Gerentes de CPD” que nos precedeu era essencialmente técnica, e pouco se discutia sobre a gestão da TI.
Provavelmente o que nos tornou líderes foi perceber antes dos outros que o Modelo de Gestão da TI estava em construção, e que a competência que precisávamos desenvolver não era técnica.

Dedicamos muito tempo e esforço aprendendo a ser Gestores. Aprendemos lendo, discutindo e aplicando as novas metodologias e modelos de referência de Gestão de TI: Cobit, ITIL, PMI, CMM, BS 27001, outsourcing, rightsourcing, multisourcing, BPO, SLA, Service Desk, Catálogo de Serviços,  SaaS, modelagem e automação dos processos da cadeia da TI, alinhamento com a Estratégia do Negócio, Governança, participação no board… ufa!

Trilhamos a rota da profissionalização da gestão de TI, algo comparável à revolução da qualidade na indústria nos anos 80 e 90. A exemplo dos  gerentes dos departamentos de qualidade desta época, os CIOs atuaram decisivamente na mudança dos paradigmas da organização, que estava aprendendo que a informação e o conhecimento eram os ativos realmente relevantes para o sucesso. 

Bem… E agora? Para aqueles que estão almejando ser os CIOs do futuro, qual será a competência essencial a ser desenvolvida?
Uma coisa é certa: Autodesenvolvimento é o segredo do SUCESSO. Boa sorte!

* Rafael Nicolela é gerente de TI da Doux Frangosul

Fonte: Baguete

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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