A TI como propulsora do desenvolvimento

É tão comum afirmar que a indústria de TI é a única que possui a capacidade de afetar a produtividade de todas as demais áreas da economia, incluindo-se os vários níveis de governo, que nenhuma autoridade de governo, analista de mercado ou profissional da área se atreve a negar esta afirmação. Entretanto, há uma enorme distância entre reconhecer o potencial da TI e de fato tirar proveito dele.

Para que o País como um todo possa extrair o melhor da TI, é preciso determinar, de forma aberta e transparente, quais são os objetivos. Se, por exemplo, a TI deve ser usada para que o estado seja mais eficiente na prestação de serviços aos cidadãos, então, é preciso estabelecer metas e métricas para avaliar o progresso neste sentido. É simples avaliar, órgão a órgão da administração federal, estadual e municipal, qual a proporção dos serviços burocráticos (que são necessários aos cidadãos e empresas) que podem ser acessados pela Web. Assim como as grandes empresas, os governos devem usar a TI para reduzir o custo e melhorar a qualidade do atendimento aos seus clientes.

Analogamente, é preciso estabelecer metas para o acesso aos serviços de TI: fala-se muito em inclusão digital, tanto no nível de governos quanto de ONGs, mas ninguém sabe se estamos indo "bem" com os programas, porque não há uma meta definida. Deveria existir uma meta de que todos (ou uma fração determinada) os cidadãos e todas (ou uma fração das) empresas tenham acesso de determinada forma. Admitimos que uma parte da população tenha acesso a partir de centros comunitários, mas esta forma de acesso é certamente inadequada para empresas que possuam funcionários. Um precedente destas metas se encontra na Lei Geral de Telecomunicações de 1998, que definiu metas de universalização para o sistema de telecomunicações.

Se o estado será beneficiado pelo maior número de pessoas e empresas que deixarão de demandar atendimento nas repartições, então, o estado (financiado por nós contribuintes) deveria incentivar, subsidiar ou auxiliar neste processo. É a mesma lógica do Home Banking e do Internet Banking, que permitiu aos bancos atender cada vez mais clientes com cada vez menos funcionários, enquanto forneceram, em vários casos, gratuitamente, acesso a modens e à Internet para seus clientes (ou uma parte deles). (Seja dito entre parênteses: na teoria o estado está a serviço da sociedade, mas na prática, infelizmente, a maior parte do tempo é o estado que se serve da sociedade; esta discussão vai além do espaço aqui disponível).

De outra parte, não será apenas o governo federal a se beneficiar deste processo. Em alguns países, prefeituras locais reembolsam construtoras que implementem infraestrutura de rede de dados (dando preferência, na Coréia, para redes de alta velocidade por meio de fibras óticas), seja em construções comerciais ou residenciais, de destinadas a qualquer nível de renda. Analogamente, os governos estaduais deveriam dar sua contribuição para este processo de informatização da sociedade como um todo.

Assim, é preciso definir metas e métricas para todas as partes envolvidas. Obviamente, esta definição não pode sair de apenas uma das partes envolvidas ou interessadas, mas precisa ser discutida amplamente. Este artigo tem por objetivo dar o pontapé inicial nessa discussão.

Roberto Carlos Mayer é presidente da Assespro São Paulo e diretor da MBI

Fonte: Baguete

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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