Como é feito o programa 'A grande família' na era da alta definição

RIO – Sabe aquele furinho quase microscópico na parede florida do quarto de Lineu (Marco Nanini) e Nenê (Marieta Severo) que aparece na foto de capa da Revista da TV? A olho nu é quase impossível enxergá-lo. Mas as câmeras de HD (high definition), que enxergam mais do que o olho humano, fazem com que ele fique gigantesco. Assim como acontece com uma gotícula de tinta que pinga no chão, um arranhão minúsculo na mesa de centro da sala ou um amassadinho na camisa de alguém. Na era da TV digital, a mais insignificante imperfeição pode ficar gritantemente feia na tela.

Para mostrar as mudanças que a nova tecnologia trouxe, a Revista da TV passou um dia no Projac acompanhando como se põe no ar “A grande família”, um dos programas que a Globo exibe em alta definição, e sucesso de audiência há oito anos.

Cenários

Uma cabeça de prego mais para fora salta aos olhos. Qualquer tipo de brilho, por menor que seja, estoura a luz. A vida da equipe de cenografia de “A grande família” é um pouco mais dura desde que surgiu o HD. Como as novas câmeras proporcionam uma imagem seis vezes melhor do que as standard, até as cores ficam diferentes no vídeo.

– Temos que pensar como a nova câmera vai ler aquelas cores e texturas, o acabamento tem que ser perfeito. O branco passou a ser proibido, porque absorve mais luz e abre o contraste. Então, usamos outras cores, como cinza claro e bege, para que na tela se veja uma parede branca. O verniz dos móveis tem ser impecável, senão aparecem até as marcas do pincel. E é preciso ter cuidado com a manutenção das coisas, porque arranhão que antes não aparecia agora aparece – conta a cenógrafa Luciane Nicolino.

Figurino

“Olha que tecido lindo! Comprei de uma mulher em Petrópolis cuja mãe era costureira, morreu e deixou um baú cheio deles”. Assim Cao Albuquerque, figurinista de “A grande família”, começa o passeio que fez com a Revista da TV pela sala de costura do Projac. O tecido era um estampado que seria usado em um vestido de Nenê. As roupas de quase todos os personagens são feitas por costureiras e alfaiates à moda antiga. E com uma preocupação a mais nos tempos modernos.

– A costura tem que estar perfeita, sem linhas aparentes – explica Nadir Cardoso, que faz à mão os cortes das roupas.

Os tecidos de estofamento são os mais usados, por serem encorpados. Assim, não se espantem se perceberem que uma saia tem a mesma estampa do sofá de casa ou da almofada do vizinho. A regra com a TV digital é evitar brilhos que estourem a luz da cena.

Maquiagem

Se arranhões nos móveis se destacam na era do HD, o que dizer de rugas e imperfeições na pele? Para evitar que os poros dos atores virem crateras no vídeo, a maquiagem também teve que passar por ajustes. A regra nos tempos modernos é evitar excessos. Nada de muita pintura no rosto, sob pena de ficar artificial. As cores, como já foi dito por outras áreas, mudam bastante e ficam mais vistosas e abertas com a alta definição. Como absolutamente tudo aparece quando gravado pelas câmeras de HD, corre-se o risco de o telespectador perceber truques como bigodes falsos e perucas. Se os fios forem sintéticos, por exemplo, vão brilhar demais, porque a luz, agora, é captada com mais eficiência.

– A maquiagem tem de ser bem suave, mas perfeita, para esconder as marcas. Para isso, usamos um pincel especial que funciona como se tivesse lustrando a pele – conta Rita Luzia, supervisora de caracterização de “A grande família”.

Produção de arte

Com o HD, a profundidade de campo é grande. Com isso, o fundo da cena, que antes aparecia desfocado, agora também fica mais nítido. Portanto, detalhes que só compunham o ambiente, como quadros, vasos e outros enfeites, passaram a ter papéis importantes. E é o pessoal da produção de arte que cuida deles. No Projac, há um lugar chamado sala-cofre, onde são guardados esses objetos. No de “A grande família”, o acervo chega a seis mil itens.

– No começo do ano, costumamos comprar quatro objetos iguais para usá-los ao longo da temporada, porque sempre quebram. Ou, quando compramos peças de brechó, fazemos cópias aqui mesmo no Projac – conta o produtor de arte, Guga Feijó.

Para uma cena em que Lineu (Marco Nanini) atropelava e operava um cachorro, a produção de arte mandou confeccionar um boneco parecido com o animal real filmado em algumas tomadas. Até sangue ele tinha. É que, com o HD, isso ficaria evidente no vídeo.

– Ninguém acreditou que conseguimos fazer o cão ficar parado na cena da cirurgia. Mas não era ele, e sim o de pelúcia. Nem a dona do animal de verdade acreditou – conta Feijó.

Fonte: O Globo Online

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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