Internautas usam ferramentas virtuais e vivem conectados 24 horas …

Rodrigo: uso total dos softwares online do Google, até dentro do iPhone

RIO – Hoje em dia, “entrar no computador” é quase sinônimo de “entrar na internet”. Foi-se o tempo de sentar diante da máquina e ficar mexendo em programas offline. Ainda mais agora, que é possível mexer em quase tudo de dentro do ciberespaço. Faz ainda mais sentido no Brasil, em que o tempo médio mensal de navegação web está em 23 horas (mesmo com toda a exclusão digital).

Especialistas como o escritor americano Nick Carr defendem que logo todas as aplicações estarão inseridas na nuvem da internet e ela será uma plataforma em si mesma – na verdade, já é, se levarmos em conta a existência de aplicações como Google Docs, Photoshop Express, Acrobat.com e outras delícias online que antes só existiam em versão desktop.

Reuniões por videconferência e bate-papo pelo Skype

Rodrigo Azevedo, presidente do site e empresa de soluções web Comunique-se, leva uma vida conectada ao extremo. Inclusive chegou atrasado à entrevista porque estava no meio de uma videoconferência via web (através da ferramenta Webex) com sua equipe de São Paulo (ele se divide entre Rio e Sampa). Também se conectou via Skype em vídeo com um cliente.

– Uso, aliás, muito o recurso da videoconferência, com uma webcam em cima do computador – conta. – Tenho clientes que passam dois meses sem se encontrar, mas na verdade não têm essa percepção, porque se falam em videoconferência diariamente.

Uso muito o recurso da videoconferência, com uma webcam em cima do computador


O site de Rodrigo funciona todo baseado em ferramentas online do Google. Através do Google Apps, ele criou um domínio para a empresa, e desde então todo mundo trabalha com as ferramentas online, como Google Docs, Calendar e afins. O Skype (versão Business) é igualmente muito usado. Quando a equipe precisa trabalhar de casa, todos ficam conectados direto no sistema de telefonia via internet e, quando há algum problema, ele é comunicado em tempo real e resolvido sem delongas, diz Rodrigo.

– Trabalhamos direto com o Gmail, que nem sequer considero um webmail. Essa expressão ficou associada à idéia de email lento, o que não é o caso do Gmail, software completo que apenas roda em cima da plataforma internet – diz Rodrigo.

A turma da infra-estrutura reclamou da decisão de basear tudo numa plataforma online, mas Rodrigo contrapôs que era mais provável que houvesse problemas num sistema local do que num sistema projetado para funcionar no ciberespaço.

– E, depois que botei o Google aqui, tudo ficou mais leve – conta ele, que faz backup de tudo. – E todo mundo acessa o trabalho de onde estiver, sem estresse.

Internet ajuda até na hora de contar histórias para os filhos

Em casa, Rodrigo praticamente só senta diante do PC para fazer coisas dentro da internet. Há exceções (para funções avançadas, ainda usa de vez em quando Word e Powerpoint). Até para contar histórias para a filha, baixa-as de um blog especializado e as lê na hora, levando o notebook para o quarto e acessando o site através da tecnologia sem fio WiFi.

– Também adoro jogar online via Xbox – diz. – Especialmente “Gears of war”. É a experiência mais globalizadora que existe, com vários idiomas misturados.

Com as ferramentas do Google já portadas para o iPhone, tudo aquilo de que Rodrigo precisa fica disponível no seu aparelho.

Antônio Kleber, em seu quarto-escritório: três PCs ligados na web via Linux, Mac e Windows. Para ele, a próxima fase é a conexão entre cérebros / Foto: Gabriel de Paiva

Já o analista de sistemas e especialista em gerenciamento do conhecimento Antônio Kleber de Araújo tem pelo menos três computadores, onde usa os três sistemas – Mac OS X, Linux e Windows. Tudo permanentemente online. Até transformou um de seus celulares numa central telefônica que permite comunicar-se diretamente com sua casa em Glicério, interior do Estado do Rio.

– No Mac, mexo com as coisas mais pessoais, falo com os amigos, baixo fotos, músicas, vídeos e assim por diante. – diz Kleber. – No Linux, mexo mais com as coisas de trabalho, sempre com uso maciço da rede [ele está ajudando a projetar o software para um robô submarino e também trabalha em sistemas que permitam buscas que correlacionem melhor os elementos, entendendo seu significado].

Windows para Google Earth e sistemas de vigilância

E, no Windows, ele mexe bastante com o Google Earth e com câmeras de vigilância online, com as quais pretende prestar um serviço à comunidade da rua onde mora, em Copacabana.

O uso do celular como central telefônica já gerou situações hilárias para Kleber. Durante um tempo, a central ficou conectada com seu porteiro eletrônico, de modo que lá de Glicério ele podia responder ao interfone em Copacabana. Quando dizia ao interlocutor que não estava em casa, ninguém acreditava.

– “Pára com essa palhaçada, desce aí”, era o que me diziam – lembra, rindo. – Acabei desconectando a central do interfone…

Antônio Kleber vê a vida online por um prisma filosófico. Acha que logo estaremos numa “noosfera” – mais do que uma nuvem de conexão, uma nuvem de pensamentos interligados. Uma espécie de consciência coletiva, descrita pelo pensador francês Teilhard de Chardin no século passado.

– Estamos passando da fase do usuário individual para o coletivo – diz. – As redes sociais são o primeiro sintoma disso.

Não por acaso, desembarcou no país há poucas semanas o Nimbuzz, software gratuito que integra ao celular e ao PC – permitindo ligações gratuitas – redes de serviços como Messenger, Skype, Yahoo!, Google Talk, Jabber, Orkut, Facebook, e outros. Segundo o diretor geral da Nimbuzz no Brasil, Carlos Medina, a idéia é fazer as chamadas ou enviar mensagens para todos os serviços de dentro de um único lugar. Mais ou menos o que o Unyk faz com os diferentes cadernos de endereços web.

Advogada ficou noiva pela rede

Por falar em unificação de perfis web, há quem não dispense nenhum deles. A advogada e webdesigner Andréa Augusto é um ser online por definição. Até ficou noiva pela rede, onde está cadastrada em todas as ferramentas de networking possíveis e é uma blogueira de mão cheia.

Costumo dizer que tenho uma vida virtual e uma real, sendo que a virtual não se distingue muito da real


– Costumo dizer que tenho uma vida virtual e uma real, sendo que a virtual não se distingue muito da real – diz Andréa. – Na vida online tenho a vantagem de ir às compras, marcar exames, comprar remédios, fazer cursos à distância, pagar contas, adquirir de livros a aparelhos de ginástica, a qualquer hora.

O noivado virtual aconteceu com um jornalista de São Paulo, hoje grande amigo de Andréa. Ela o conheceu num grupo de poesias do Yahoo!.

– Nesses grupos se encontra todo tipo de assunto e pessoas com interesses afins. Lá se conhece alguém com um gosto parecido com o seu – explica. – Passar do envio de poemas para o grupo a mensagens privadas foi um pulo, mas ainda demoraria um ano até conhecê-lo pessoalmente. Aconteceu num carnaval, eu disse que iria vê-lo, ele não acreditou. Dois aviões depois eu estava lá e foi uma experiência linda e louca, com direito a nickname nas alianças, que guardo até hoje.

Andréa faz tudo na rede: edita fotos com o Snipshot, envia mensagens customizadas aos amigos através de um gerador online, converte arquivos de áudio no Convert It e tem um espaço pessoal de 5GB no Esnips para guardar arquivos.

– Sabendo usar, a internet possibilita encontros maravilhosos, e não são só românticos. Hoje tenho amigos queridos que nunca vi ou de quem nunca ouvi a voz, mas que me acompanham há anos.

Fonte: O Globo Online

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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