Mais de 40% não sabem o que a prefeitura faz

Atendimento básico de saúde é uma das obrigações da prefeitura / Foto: Arquivo

RIO – Melhorar o calçamento de ruas e avenidas, construir áreas de lazer e limpar a cidade são algumas das atribuições da prefeitura. Mas são muitos aqueles que não sabem disso. Análise feita pelo movimento Rio Como Vamos (RCV) de novos números de pesquisa de percepção revela que quase metade da população do Rio (43%) desconhece as funções da prefeitura. Entre os entrevistados, chega a 65% o índice dos que não confiam na Polícia Militar e na Câmara de Vereadores. Mal avaliados estão ainda subprefeituras, Tribunal de Contas do Município, prefeitura e Polícia Civil. O Corpo de Bombeiros e os Correios são as instituições mais confiáveis: foram citadas por 90% dos ouvidos.

Em que instituição você mais confia?

– Já chamei a ambulância dos bombeiros para socorrer uma pessoa na rua e vi como são bem treinados, atenciosos – disse a passadeira Marinalva Gomes, confirmando o resultado da pesquisa.

Por outro lado, o técnico de telecomunicações Rafael Batista não faz a mesma avaliação da Polícia Militar. Ele diz que não confia na instituição:

Parte da polícia é corruptível. Já parei em blitz, eles não têm educação. Falta treinamento, reciclagem


– Parte da polícia é corruptível. Já parei em blitz, eles não têm educação. Falta treinamento, reciclagem.

Para a psicóloga Suzana Falcão, coordenadora-executiva do RCV, é fundamental que as instituições, tão mal avaliadas, repensem suas práticas e apresentem propostas concretas de melhoria para que possam reverter essa imagem:

– Dialoguem com a população. A pesquisa mostra um desânimo e reafirma, para nós do RCV, a importância de se trabalhar com a informação, com dados que sirvam como mote para ações pró-ativas, não só da população mas também de suas instituições – sugere Suzana. – Torcemos para que os cariocas, ao conhecerem melhor a cidade, usem as informações com um sentimento de responsabilidade, como agentes de um processo de mudança, comprometidos com um Rio melhor.

Eleitores não acompanham seus candidatos eleitos

Para a assistente administrativa Ana Cristina Gomes Melo, os governos deveriam deixar mais claras as suas atribuições. Ela, por exemplo, não sabe quais são as responsabilidades da prefeitura:

– Estou por fora. É confuso, acabo não me informando também. Sem saber o que ela faz, fica difícil reclamar dos problemas, cobrar nossos direitos – disse Ana.

A pesquisa sobre “A qualidade de vida no Rio de Janeiro” foi realizada entre 13 e 19 de março. O Ibope ouviu 1.995 pessoas das cinco Áreas de Planejamento (APs) da cidade. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nesta segunda e última etapa foram avaliadas respostas sobre cultura política e cidadania.

Na Zona Oeste, por exemplo, foi encontrado o percentual mais alto de moradores (45%) que não consideram claras as atribuições da prefeitura. O índice é um pouco menor na Zona Sul e na Barra e em Jacarepaguá (44%). Na Zona Norte, cai para 42% e, no Centro, para 35%. Suzana Falcão lamenta que a informação não chegue ao carioca:

– A informação não chega de forma acessível, permitindo-lhe conhecer sua cidade, seu bairro, sua rua. E que, ao conhecer, o carioca também tome posse dela. É preciso recuperar a crença e o exercício de suas ações, construindo uma cidade melhor.

A pesquisa revela ainda que 43% dos entrevistados não acompanham o desempenho de seu candidato depois de eleito. Há diferenças entre as regiões: 49% são da Zona Oeste e, 30%, da Zona Sul.

Analista-técnica do RCV, a economista Roberta Guimarães ressalta que, embora os dados da pesquisa não a surpreendam, preocupa a baixa confiança da população em instituições essenciais para a qualidade de vida. Roberta lamenta ainda que o carioca faça pouco para mudar esse quadro, pois a sua participação na vida política é baixa:

A pesquisa, a meu ver, mostra a necessidade que a cidade tem de que seus moradores façam parte dela


– Temos que mudar essa não atitude. Devemos nos colocar como responsáveis pelas mudanças que queremos. E a pesquisa, a meu ver, mostra a necessidade que a cidade tem de que seus moradores façam parte dela, não como platéia, mas como seus protagonistas – afirma Roberta.

Quanto à principal preocupação que o prefeito deveria ter, quatro temas foram os mais votados: qualidade e cobertura de saúde; geração de emprego; fortalecimento da segurança; e qualidade e cobertura da educação. Segundo o RCV, quanto menor a escolaridade, maior a preocupação com a geração de empregos. Entre os que têm ensino médio, a saúde é o que mais preocupa. Geração de emprego está em segundo lugar. Já entre os que têm ensino superior, saúde e segurança foram as questões mais citadas.

A pesquisa revela ainda que a participação dos moradores do Rio em associações é mínima: 52% dos entrevistados não participam de nenhuma delas. Só o envolvimento com igrejas ou grupos religiosos alcança um número maior de pessoas (35%). Outros 8% são membros de clubes, 4% de uma sociedade de bairro e 1% de sindicatos, partidos e cooperativas.

O RCV considera preocupante o fato de que somente interesses individuais mobilizam o cidadão a reclamar. O interesse coletivo não se expressa com a força que o enfrentamento dos problemas requer. Apenas 5% dos entrevistados já integraram algum conselho comunitário ou associação de bairro.

Honestidade na relação com vizinhos está em alta

Sobre como o carioca exerce seus direitos de inclusão e cidadania, a pesquisa mostra que 26% dos entrevistados reclamaram da má qualidade de um produto ou serviço. O advogado Felipe José Miguel Alves de Lima sempre reclama quando a empresa de telefonia ou de TV a cabo, por exemplo, não cumpre a sua parte:

– É uma obrigação de todos nós. As empresas só vão melhorar se reclamarmos. Acho que muita gente ainda deixa passar, mas acredito que está mudando.

Quanto às perguntas sobre como o carioca percebe a sua cidade, o RCV ressalta que a maior nota é dada para a relação de honestidade com os vizinhos (5,4), seguida pela solidariedade com os vizinhos (5,2). Entre as menores notas estão o cuidado com os bens públicos e o respeito a normas ambientais (4,4). Do total de entrevistados, 27% deram notas entre 1 e 2.

Áreas como saúde, educação e segurança são monitoradas

O Rio Como Vamos é um movimento de cidadania que monitora os indicadores de qualidade do município do Rio de Janeiro, acompanhando o desempenho da administração pública em 13 áreas: saúde; transporte; educação; segurança pública e violência; pobreza e desigualdade social; meio ambiente; lazer e esporte; habitação e saneamento; inclusão digital; trabalho, emprego e renda; cultura; vereadores; e orçamento. Os resultados desse monitoramento, que são divulgados mensalmente pelo GLOBO e pelo Globo Online, podem ajudar os cidadãos a avaliar seus administradores e a lutar pela melhora da qualidade de vida na cidade.

O movimento é apolítico e tem apoio das seguintes entidades: Fecomércio, Firjan, Associação Comercial, Synergos, Observatório de Favelas, Iser, Cedaps, CDI, Idac, Ethos, IBCC, Iets, Santander, Terminal 1, Unicef e Fundação Avina. O seu trabalho pode ser acompanhado pelo site www.riocomovamos.org.br.

O GLOBO JÁ PUBLICOU

DEZEMBRO 2007: Pesquisa sobre a percepção dos cariocas em relação à qualidade de vida da cidade, feita pelo Iser.

JANEIRO 2008: Avaliação de todas as áreas da administração municipal com base no desempenho no período 1996-2006.

FEVEREIRO 2008: Análise do ensino fundamental, com base em dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2005.

MARÇO 2008: Primeiros resultados de pesquisa de percepção da população sobre a cidade.

O GLOBO VAI PUBLICAR

MAIO 2008: Análise sobre trabalho, emprego e renda.

Fonte: O Globo Online

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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