Desmistificando o triple play

As ofertas de pacotes que reúnem os serviços de banda larga, TV a cabo e telefone, denominados Triple Play, estão sendo muito bem recebidas pelos consumidores brasileiros, ávidos pelas vantagens de contar com a redução de seus custos, a concentração dos gastos numa única fatura e o “sonho” de um único número de suporte. Mas, apesar dos benefícios irem longe, com a competitividade revertendo em melhores serviços e preços mais atrativos, o caminho do Triple Play no Brasil pode ser muito curto.

De acordo com o último CIS (Continuous Intelligence Service) da IDC, boletim mensal dedicado aos clientes da consultoria com assuntos emergentes do mercado de telecomunicações, ao pegar como exemplo países mais maduros que já passaram pela experiência de ofertar o Triple Play, como é o caso do Canadá, existem alguns mitos a cercar esses serviços. Um deles é o das operadoras de telefonia fixa e das emissoras de TV a cabo acharem que a oferta de Triple Play é um diferencial competitivo. Outro, mais óbvio, é o de achar que ao ganhar usuários pelas ofertas de preços, isso significará mais receita.

A análise da consultoria explica que, antes, a transmissão via satélite predominava nas TVs por assinatura no Canadá. Depois de 2004, vieram as ofertas de Triple Play e o cabo se popularizou, tanto que rapidamente deixou as transmissões de satélite para trás. Passada a onda com o lançamento, entretanto, logo as empresas de cabo perceberam que não tinham a mina de ouro desejada e, para a receita subir, novos serviços teriam de ser agregados. Foi quando surgiu, daí com êxito, o Quadriple Play, que também coloca à disposição dos consumidores os serviços de celular e mobilidade, como banda larga móvel, por exemplo, além de TV on demand, DVR, HDTV, banda extra on demand, etc.

Para Vinicius Caetano, analista de telecom que desenvolveu este CIS, muito em breve o Triple Play vai deixar de ser um diferencial para virar commodity no mercado brasileiro. “Ou seja, o Triple Play será visto simplesmente como uma plataforma para agregar novos serviços. E, da mesma forma que no Canadá, as empresas que aqui ofertam os pacotes terão que se valer do Quadriple Play e de novos serviços para angariar mais receita”, prevê Caetano, que acrescenta, “sinergia para isso há. Importantes empresas de telefonia fixa e de cabo têm como matrizes companhias que possuem participação nas operadoras móveis brasileiras, permitindo a mobilidade tanto de voz quanto de dados”.

O que também reforça o passo ao Triple e ao Quadriple Play é tendência para a interatividade via TV, já que esses pacotes contemplam TV digital e banda larga. Uma ajuda importante para que a interatividade se concretize será a entrada do IPTV, que ainda está em estágio de testes devido a restrições regulatórias. A utilização desse novo sistema permitirá que as concessionárias telefônicas passem a oferecer ao menos três serviços sobre a mesma rede, dispensando a TV satelital e facilitando a  comunicação em tempo real entre assinantes e emissoras.

Fonte: B2B Magazine

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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