Indústria de construção investe 8% do orçamento em inovação

A TI como ferramenta de suporte para o negócio é uma realidade para o setor de construção e material de construção e também uma característica presente nos primeiros colocados desta categoria, a Construtora Andrade Gutierrez, a incorporadora Cyrela e a fabricante de elevadores Atlas Schindler. “Uma obra é um processo gigantesco. Para acompanhar o andamento são necessários indicadores. Se você não otimiza o processo com equipamentos e sistemas, fica muito complicado fazer tudo na mão”, explica Cibele Tessari, gerente de TI da Construtora Andrade Gutierrez, vencedora da categoria e 10ª colocada na classificação geral.

Junto com os setores de eletroeletrônica, serviços diversos e de infra-estrutura, transporte e logística, as empresas de construção foram as que registraram maior índice de orçamento destinado à inovação em TI: 8%. Segundo o estudo As 100+ Inovadoras, 66,7% das empresas possui a estratégia de inovação de TI definida, sendo que 44% diz que ela está formalmente comunicada e aplicada. Em 78% das organizações do setor, o suporte ao negócio é expresso como a missão de TI, sendo que em 56% delas a TI deve focar na liderança para trazer valor ao negócio.

Para Cibele, neste processo, é importante ter o foco não no cliente, mas do cliente. “Toda equipe de TI foi certificada em Cobit para que os profissionais compreendam que são prestadores de serviço”, comenta. Cada departamento da empresa tem um analista de TI para “não apenas desenvolver sistemas e aplicar técnicas de TI, mas propor soluções”.

No último ano – período em que Cibele está à frente da área na Andrade Gutierrez -, a governança tem sido o principal ponto de trabalho. Metodologias de Itil e Cobit estão em implantação e alguns sistemas de TI foram integrados ao BSC da companhia. As áreas de service desk e segurança da informação estão em processo de instalação, e uma área específica para avaliação de novas tecnologias também irá compor a estrutura da área. “O service desk fecha todos os processo de gestão”, comenta. “Fora o escritório de projeto, também houve foco no PMI”, completa.

No processo de transformação de TI em uma prestadora de serviços para as áreas de negócio da Andrade Gutierrez, Cibele destaca algumas conquistas já realizadas. “As entregas de TI ficaram muito rápidas e com qualidade”, afirma. Na avaliação semanal de status de projetos, de acordo com ela, a área tem conquistado sempre a nota mais alta. Há, ainda, um forte movimento para que TI passe a ser encarregada por seu orçamento, hoje gerido em conjunto com as áreas de negócios.

Outro aspecto que também tem sido trabalhado é a integração da equipe de TI. Cada obra realizada pela construtora tem sua própria equipe e estrutura de TI. Com um processo descentralizado, algumas decisões eram tomadas localmente, sem a visão de que a sede, em São Paulo, era um parceiro. Para trabalhar isto, foi criada uma intranet, um evento de integração e até uma psicóloga foi contratada para conversar com alguns profissionais. “Hoje, quando eles se falam, eles se conhecem”, ressalta Cibele.

VoIP, videoconferência, comunicações unificadas e a nova versão do MetaFrame estão entre as tecnologias implementadas e testadas pela Andrade Gutierrez. Mas um projeto em especial é tido como bastante inovador: a mobilidade nas obras. “O handheld evita ter papel e pode diminuir mão-de-obra, erro etc.”, explica a gerente de tecnologia.

Investimento em alta
Na Cyrela, segunda colocada da categoria e 67ª do ranking geral, a mobilidade também está em pauta. Ela começou a ser utilizada pela força de vendas para vistoria de unidades. Segundo o CIO, German Quiroga, a empresa mudou a ordem de grandeza de seus investimentos de TI, aumentados para cerca de 1% do faturamento. Também foi criado um comitê para discutir projetos de TI.

O crescimento da Cyrela, que vem dobrando de tamanho a cada dois anos na última década e comprou 18 empresas depois de sua abertura de capital, no fim de 2005, é o que direciona o aumento destes investimentos. A área de TI, por sua vez, tem respondido. “O resultado já é percebido no relacionamento com os clientes, que têm mais acesso a informações”, comenta Quiroga.

Além da mobilidade, ferramentas para melhorar o conhecimento do cliente por meio do CRM e o uso do BI e de sistemas específicos para a compra e venda de terrenos – usando informações de geoprocessamento – estão entre as prioridades de TI. O objetivo é ter uma visão mais integrada dos clientes, permitindo a realização de ações e campanhas mais direcionadas. Além disto, a revisão das funções dos profissionais de TI (que passaram a analistas de negócios) tem ajudado a forçar a inovação, dando mais perspectivas para seu futuro na empresa. Executivos e analistas participam de um agressivo programa de recompensa por resultados, conta Quiroga.

O processo de inovação na TI, aliás, vem sendo estruturado no último ano com consultoria e palestras. “Hoje, a gestão de projetos é feita de forma empírica, sem metodologia”, comenta Quiroga. Os resultados são medidos por indicadores como uso da verba, satisfação dos clientes internos e prazo de execução. Do ponto de vista de planejamento da área, o mapeamento denominado IT Strategy criou um horizonte de longo e curto prazos para área de TI, que tem projetos geridos por meio do PMI.

Menos custos
Pressionada pela necessidade de reduzir custos, a Atlas Schindler, terceira colocada da categoria e 80ª no ranking geral, tem encontrado na TI uma importante ferramenta para atingir este objetivo. “Já conseguimos conscientizar as áreas de negócio de que elas têm de nos acionar quando alguma coisa é planejada”, comenta Helio Gussiardi, gerente de TI para a América Latina.

Nas duas últimas pesquisas de avaliação interna, realizada com metade dos dois mil funcionários da empresa, a área de TI obteve notas 3,7 e 3,9 em uma escala de um a cinco. Para este ano, a meta é ficar acima de quatro. “Temos o objetivo de ficar abaixo de 5% de insatisfeito e muito insatisfeito na avaliação das áreas”, expõe Gussiardi. Alguns projetos, como a metodologia Itil, implantada há cerca dois anos, ajudam neste sentido.

As iniciativas de TI se originam em discussões do programa contínuo de redução de custos e dos comitês de discussão de projetos da empresa. A adoção do VoIP é um exemplo. Além da redução de custos com ligações, Gussiardi afirma que a idéia é usar a capacidade de criação de regras para o recebimento de ligações e reduzir em pelo menos R$ 7 mil os gastos com chamadas a cobrar feitas por técnicos, engenheiros e vendedores em campo. “Procuramos sempre explorar as tecnologias além do que já está sendo feito no mercado”, comenta o executivo.

Por trás desse projeto, houve ainda uma renovação dos sistemas de dados da empresa e a adoção de VPNs no lugar de links dedicados para a comunicação de alguns escritórios. A construção de um novo data center e a adoção de novos módulos do sistema SAP também aconteceram em 2007, junto com os primeiros testes do uso da mobilidade para os técnicos em campo, que deve ser expandida também para os executivos da empresa.

Para garantir o sucesso da mudança de TI de centro de custo para centro de lucro, Gussiardi ressalta a importância da gestão de portfólio de projetos, que começará a ser trabalhada no ano que vem. “Muitas áreas trazem cinco, seis projetos de uma vez, mas não sabem qual é o de maior retorno”, diz. A idéia é documentar o processo de escolha, que hoje é feito de forma intuitiva. “Estamos em uma evolução grande, mas tem uma série de questões que precisam ser revistas em termos locais e globais”, avalia.

O executivo explica que a Atlas Schindler iniciou um processo de padronização de processos de TI, que, atualmente, estão implementados seguindo as orientações de cada escritório da empresa no mundo. “Queremos ganhar produtividade e reduzir custos com a criação de padrões mundiais”, explica. O processo, que deve ser balanceado com as ações locais, será um dos grandes desafios da empresa para os próximos na avaliação de Gussardi.

Fonte: IT Web

Publicado por Marcus Vinícius

Consultor e Desenvolvedor WEB/VOIP, atua em projetos pela Innovus desde 2003, focado no desenvolvimento de soluções de telefonia IP utilizando o software Asterisk. Contribuidor ativo dos portais VoIPCenter, AsteriskOnline e AsteriskBrasil.

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