O Ceitec inaugurou nesta sexta-feira, 27, seu Centro de Design. Presente à cerimônia, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, destacou o evento como um passo à frente e definitivo, para o país, na busca pela participação expressiva no mercado mundial de microeletrônica.

“Até pouco tempo, se considerava a vinda de uma fábrica desta área para cá como um investimento do país em semicondutores, como uma ação de transferência de tecnologia. Não é. Transferir tecnologia é construir um centro capaz de gerá-la, de gerar conhecimento para a indústria de produtos baseados em microeletrônica”, destacou a ministra.

Já o ministro da Tecnologia, Sergio Rezende, também presente à inauguração, destacou que com o Ceitec, o Brasil pega, finalmente, o bonde do mercado de semicondutores.

“Disseram que tínhamos perdido este bonde. Mas não tem perder, o bonde você corre atrás e pega. É o que fazemos com o Ceitec. Com este novo centro, não vamos apenas produzir, mas desenhar processos e aplicá-los. Alcançamos um patamar acima nesta área”, ressaltou ele.

Rezende afirmou, ainda, que o Ceitec marca a entrada do Brasil no “jogo da microeletrônica”. Para o ministro, a inauguração do Centro de Design e a previsão de iniciar a operação da fábrica de chips – a primeira do país – até o fim do ano vão atrair outras indústrias deste segmento para o país, assim como compradores.

“A ideia é ativar a fábrica até fim de julho, mas podem haver entraves como, por exemplo, atrasos nas importações de equipamentos. Hoje mesmo soubemos de um material que viria para cá, mas o fornecedor estrangeiro acabou enviando para o porto de Florianópolis. São coisas que não se pode prever, então a previsão pode ser expandida até o fim do ano”, explicou.

Todo o rebanho em um bimestre
Rezende destacou, ainda, que assim que entrar em operação, a fábrica terá capacidade para produção de chips RFID para todo o rebanho brasileiro de gado.

Além disso, as primeiras linhas de produção deverão se dedicar a circuitos para comunicação sem fio e TV digital – neste caso, o trabalho atenderá aos modelos japonês, adotado no Brasil, e também norte-americano, para incentivar a exportação.

Posse
Também nesta sexta-feira, 27, tomou posse o novo presidente do Ceitec, Eduard Rudolf Weichselbaumer. Alemão, o executivo acumula experiência à frente de empresas de alta tecnologia, tendo desenvolvido a maior parte de sua carreira no Vale do Silício, EUA.

No currículo do profissional somam-se passagens por empresas como Fairchild Semiconductors, LSI Logic, HHB Systems, Pacific Silicon, Synopsys, Artisans, Virage Logic e Soisic.  

No Ceitec, Weichselbaumer terá a missão de tornar a empresa pública federal reconhecida pela qualidade e eficácia produtiva.

“Temos a convicção de que o Ceitec tem plenas condições de atender ao mercado de chips do Brasil e concorrer com as principais fábricas e design centers mundiais”, destaca ele.

Mão de obra
O presidente “importado” do Ceitec é uma demonstração da necessidade do país em formar mão de obra especializada na área de semicondutores.

Necessidade que vem sendo suprida, segundo o ministro Rezende, por programas como o CI Brasil (Circuitos Integrados Brasil).

“Há vários anos este projeto treina engenheiros na área de microcircuitos. Hoje, são mais de 1 mil profissionais treinados em vários locais do país, como Florianópolis, Porto Alegre, Campinas, Amazonas, entre outros”, destacou o titular do MCT.

Todos os engenheiros do CI são treinados por experts, nacionais e internacionais, na área de chips, garante Rezende. “Em iniciativas como o Ceitec, damos prioridade à mão de obra brasileira. Porém, é preciso ter engenheiros com anos de experiência neste mercado, o que nos leva a mesclar trazendo pessoas de fora, como o novo presidente, Weichselbaumer”, finaliza.

Fonte: Baguete