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Aficcionados conferem as novidades numa feira de games em Leipzig, Alemanha: sagas poderão ganhar uma documentação própria / Foto: Reuters

RIO - O universo dos games multiplayer e dos ambientes virtuais 3D na internet só se expande. Esses “locais” cada vez mais fazem parte de nossas vidas, e volta e meia nos referimos a algo que aconteceu num jogo ou numa temporada passada dentro de um Second Life. Pensando nisso, a professora Megan Winget, da Universidade do Texas, iniciou um projeto de preservação de mundos virtuais. A idéia de Megan é dar mais atenção ao frágil material digital, cujos formatos mudam com o avanço da tecnologia, tentando resguardá-lo, e também entrevistar programadores e roteiristas de games para saber o que havia em suas mentes quando começaram a trabalhar no jogo, para contextualizar o nascimento de uma saga.

‘Onde estão as cartas que escritores trocavam e agora viraram emails’

Segundo Bruno Feijó, professor do departamento de informática da PUC-Rio e da Uerj, esse é um dos grandes desafios da atualidade.

- Isso tem que ser visto a partir do problema geral: a preservação de tudo o que é digital - diz Bruno. - O objeto digital é mais frágil que o físico: arquivos podem ser corrompidos, atacados ou deletados, embora pareça que sejam robustos e não vão se perder. Mas onde estão as cartas que os escritores outrora trocavam e que agora viraram emails, não preservados? Para onde vão blogs e perfis em sites de relacionamento? Tudo isso pode ser desativado de uma hora para outra.

Bruno Feijó: preservação deve contemplar todos os arquivos virtuais / Foto: Marco Antonio Cavalcanti - O Globo

Por isso, conta ele, o governo e os legisladores norte-americanos criaram projetos para proteger o universo virtual, como o National Digital Information Infrastructure and Preservation Program. A história dos games e mundos 3D está inserida nesse processo.

- O mundo virtual não é só diversão. Nele, você aprende coisas, pode ter oportunidades de novos negócios e soluções, e interage socialmente. Ele se entrelaça com a vida real - diz Bruno. - Já houve casos em que a economia de um mundo virtual foi afetada de modo bem semelhante à de uma economia física. Itens e mesmo reinos de um game virtual podem ser negociados à vera no mundo real. Ou seja, teorias econômicas poderiam ser testadas em ambientes assim na rede.

Empresas usam jogos para treinar funcionários

Segundo o professor, os mundos só fazem se sofisticar. Para ele, o Google Lively está saindo na frente, por fazer melhor a conexão com as redes sociais.

- Além de mexer com os desenvolvedores, o projeto do Texas contempla estudar a imersão dos jogadores, das pessoas comuns no mundo virtual, para compreender os eventos que se tornam históricos.

Jogos virtuais vêm sendo cada vez mais usados por empresas que buscam treinar seus funcionários, e nesse sentido podem gerar um belo acervo sobre o universo profissional. Cristina Araújo, diretora da Technology & Training (www.ttnet.com.br), afirma que a preservação passa por aí também.

Cristina Araújo:  quem joga mistura mais sua vida com o virtual e estabelece metas / Foto: Marco Antonio Cavalcanti - O Globo

- Sem esquecer os gamers, é claro. Porque quem mergulha num jogo vive-o integralmente, tem metas, se emociona com as missões, estabelece compromissos e mistura seu cotidiano com o jogar - diz Cristina. - Agora, mesmo quem não se liga em games já tem a internet mesclada com sua vida, em outras áreas: compras, bancos, comunicação… E parte disso já tem seus registros, como a telefonia VoIP, a certificação digital, e por aí vai.

O registro dos grandes games, diz ela, já começa pelo próprio Guinness Book, que hoje acusa os recordes dessas modalidades também. Mas isto é só o começo, pois o conhecimento ainda está disperso. A idéia de Megan é conscientizar a indústria para um esforço coordenado de preservação.

Fonte: O Globo Online

Outros links: MP3, iPod, celulares, notebooks, cameras

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