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Gabriel de Paiva (O Globo) / Dia das mães tecnológicas, Fátima Rôças em casa na Tijuca

RIO - Ser mãe é ser profissional competitiva, manter a agenda social em dia, cuidar da beleza, arrumar tempo para os filhos e, de quebra, ainda acompanhar as tendências tecnológicas, ter um celular “da moda”, proteger o computador de ameaças virtuais, postar no blog e bater-papo com os amigos no MSN. No dia-a-dia da agente de viagens Fátima Rôças, de 55 anos, a tecnologia está tão diluída entre os afazeres de mãe e avó que o computador só é desligado quando ela viaja - “acho que se eu desligar eu morro”. (Leia também: especialistas explicam a relação entre mulher e tecnologia) Da internet saem os encontros semanais e mensais no Rio e em todo o Brasil com os amigos reais e virtuais com idades entre 30 e 70 anos, alguns conquistados desde a década de 90, quando o software de bate-papo ICQ reinava absoluto onde hoje dominam MSN, Google Talk e Yahoo Messenger. A programação com os netos e os e-mails longe de casa são conferidos com a ajuda de um celular Nokia avançado que não sai da bolsa, que serve de câmera digital e que ela, para trocar de operadora de telefonia, desbloqueou sozinha, seguindo instruções de um software encontrado pelo Google. (Ouça: especialista fala como mulheres usam o celular)


- Eu uso tudo: computador, internet, celular, câmera digital, scanner. Mas não tenho uma televisão daquelas lindas, de plasma fininhas, porque acho que está caro, mas é só esperar um tempo. Toda tecnologia nova precisa de adaptação, o preço deve cair, como aconteceu com os primeiros aparelhos de DVDs que chegaram por aqui, lembra? - justifica.

 

Nesta idade, se a gente fica estagnada, vira a avó chata que só fala de doença ou a mãe que não tem assunto em uma mesa de festa (Fátima Rôças)


No computador de casa, além dos sites de jogos online preferidos, Fátima armazena as fotos de família, organizadas e editadas por ela com a ajuda do Paint ou do Photoshop, e os antivírus e antispywares que ela mesma mantém atualizados, já que sabe dos riscos de viver “fuçando a internet e trocando arquivos com amigos”. O backup dos dados do computador, os álbuns de fotos digitais impressas e os CDs de músicas para ouvir em casa é ela mesma quem faz, desde 92, quando começou a mexer em PC - ainda em sistema DOS.

- Anos depois, minha filha foi estudar na Alemanha e comprávamos créditos para falar com ela pela internet quando nem tinha Skype. Hoje meu neto de 3 anos me pede para mostrar no computador as fotos que eu tirei dele. Eu preciso acompanhar isso, e tenho a sorte de ter menos resistência - comenta Fátima, que de tanto deixar comentários no blog do neto, acabou conquistando fãs que pedem um diário virtual só dela.

O interesse por tecnologias e novidades, Fátima atribui à curiosidade e aos filhos que hoje, mesmo casados, com filhos e compromissos, ainda têm paciência para atender as dúvidas da mãe pela web ou por telefone e, eventualmente, “eles até enviam explicações com passo a passo por e-mail”. Segundo ela, é papel dos filhos manter os pais antenados com as novas tecnologias como uma espécie de investimento em uma relação que deve durar e que naturalmente será cobrada pelos netos.

- Quando um filho não quer parar para ensinar à mãe como mexer em eletrônicos, ou não tem paciência para isso, é porque não se importa com o bem-estar dela ou com o futuro desta relação. Nesta idade, se a gente fica estagnada vira a avó chata que só fala de doença ou a mãe que não tem assunto em uma mesa de festa. Tem que se recriar, sempre - comenta.

Outras entrevistas com mães tecnológicas você confere em no O Globo Digital (exclusivo para assinantes)

Fonte: O Globo Online

Outros links: games, PS2, PS3, Nintendo, Wii, iPod, telefone voip, adaptador telefone, livro asterisk

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