26 Fev
Postada por: Marcus Vinícius Categorias: VoIPCode
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SÃO PAULO - A IBM lança hoje seu novo mainframe, o z10, apostando numa onda de consolidação de múltiplos servidores em um equipamento único, revertendo tendência do início dos anos 1990. Naquela época, os supercomputadores foram relegados a segundo plano pelos servidores modulares, menores, mais baratos e com grande capacidade de computação. Hoje, a necessidade de redução de custo é o que move a IBM a intensificar seu investimento em mainframes. Também pesa para essa decisão a tendência do mercado de buscar maior eficiência e menos impacto ambiental nos sistemas que utilizam.
Além do equipamento, a empresa também anunciou um investimento de US$ 300 milhões em centros de treinamento em arquitetura eletrônica, habilidades técnicas e design para ajudar seus novos clientes a adaptar melhor sua operação ao uso de mainframes.
Segundo o diretor de Hardware da IBM, Fábio Carvalho Pessoa, pouco antes de a internet ganhar força, os servidores modulares passaram a ser mais procurados que os mainframes - o qual, na verdade, não passa de um super-servidor, com alta capacidade de processamento. Mas, naquela época, havia um parque instalado de milhares de servidores, que atendiam as necessidades dos clientes. Hoje, são centenas de milhares deles, diz Pessoa.
A multiplicação das chamadas fazendas de servidores trouxe consigo reflexos importantes nos custos das empresas. O maior número de aparelhos leva a mais gastos com energia e com refrigeração, assim como com instalações físicas para eles. Paralelamente, é preciso uma licença de software para cada máquina em uso e, por serem muitas, há a necessidade de um grande número de funcionários para gerenciá-las, elevando os custos de operação.
Para a IBM, embora os mainframes não sejam solução para tudo - eles não curam queda de cabelo, brinca Pessoa -, haverá grande demanda por eles à medida que empresas decidam consolidar suas fazendas de servidores.
Até agora, os clientes vinham comprando tecnologia pontualmente e, agora, têm parques de até 5 mil servidores, com problemas de gestão e subutilização de máquinas, diz Pessoa. Para manter esses equipamentos ociosos gastam muita energia e têm de lidar com a crescente falta de espaço, acrescenta.
De acordo com números da consultoria IDC, apresentados pelo executivo, o gasto com a compra de novos servidores está praticamente estável desde 2001. O custo de manutenção e atualização desses equipamentos, porém, deve crescer de US$ 130 bilhões em 2001 para cerca de US$ 250 bilhões em 2010. Além disso, o gasto com energia tem crescido, proporcionalmente, ainda mais do que isso, segundo Pessoa.
Hoje, há clientes no mundo com parques de servidores enormes e que gastam volumes enormes de energia. Há um, por exemplo, que gasta, com seus servidores em todo o mundo, o equivalente ao gasto de toda a cidade de Paris, exemplifica o diretor de Software da IBM Brasil, Marco Bravo.
Um dos problemas que o próprio diretor de Hardware da IBM vê é a demora dos clientes em tomar a decisão de consolidar seus parques de servidores. Ele dá o exemplo da própria IBM que, embora venha insistindo já há algum tempo nas vantagens operacionais e ambientais dos mainframes, demorou alguns anos para seguir seu próprio conselho. Cerca de cinco anos após o início desse discurso, a companhia concluiu apenas no ano passado a consolidação de 3900 servidores espalhados pelo mundo em 30 mainframes.
Citando dados da consultoria Gartner, o executivo afirma que, nos próximos anos, cerca de 70% das mil maiores empresas do mundo terão de modificar seus data-centers para sistemas mais consolidados, eficientes e econômicos no uso de energia.
O principal entrave para se tomar essa decisão, diz Pessoa, é o alto custo inicial de um mainframe. Se o cliente for olhar apenas o custo de compra, todos vão adquirir servidores, não mainframes, diz o executivo. A opção pelo super-servidor, portanto, teria de ser reflexo da análise dos custos de manutenção, gerenciamento e energia, esses sim extremamente mais favoráveis que no caso de um grande número de servidores comuns.
A Caixa Econômica Federal, por exemplo, conseguiu uma economia de US$ 300 milhões com a integração de seus servidores Sun em mainframes, afirmou o executivo de Mainframes da IBM Brasil, Artur Machado.
Além disso, segundo a IBM, o retorno sobre investimento nesse tipo de super-servidores não é elevado, mas de cerca de dois anos, segundo Pessoa, para um equipamento com vida útil - sem atualizações - de entre cinco e seis anos.
A aposta atual da IBM para se aproveitar da onda de consolidação e de interesse em equipamentos mais ecoeficientes, o z10, levou cinco anos para ser desenvolvido, a um custo total de US$ 1 bilhão. Segundo a empresa, ele tem capacidade equivalente a 1500 servidores comuns, gastando 85% menos energia e ocupando 85% menos espaço físico. Além disso, pode utilizar uma licença de servidor comum para uso em capacidade de processamento 30 vezes superior - o equivalente a ter uma licença apenas para 30 servidores.
Isso, segundo os executivos da empresa, facilita o uso desse equipamento como base para virtualização de operações de tecnologia em empresas. O fato de o mainframe já ser adaptado a softwares de código aberto também aumenta sua flexibilidade para os clientes. Por fim, com capacidade de até 1,5 terabytes (1500 Gbytes) de memória e 70% mais capacidade de processamento, o aparelho pode suportar operações de uso intensivo, como programas financeiros, o que não era bem realizado por seus predecessores.
Essa é a nossa aposta, e nosso produto para essa aposta. Mas acreditamos que a consolidação será uma realidade, independentemente se a decisão dos clientes for por comprar nossos mainframes ou equipamentos da concorrência, conclui Pessoa.
Embora o lançamento hoje seja mundial, a IBM só deve começar a comercializar o z10 no país a partir de março, segundo os executivos.
(José Sergio Osse | Valor Online)
Fonte: O Globo Online
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