15 dez
Postada por: Marcus Vinícius Categorias: Inclusão Digital
Com o respaldo de quem atua com educação, informática e na área editorial, o diretor-presidente do Grupo Positivo reflete sobre inclusão digital a partir destes três setores, além de desoneração fiscal e acesso à TV Digital, na seguinte entrevista:
Qual a estrutura atual do Grupo Positivo?
Na área educacional, temos escolas próprias, em Curitiba, que vão desde a educação infantil até a universidade, que tem 26 cursos. São 20 mil alunos nessas escolas. Temos rede de escolas pelo Brasil (Em Fortaleza deve ter também), que utilizam material didático da educação básica editado pelo Positivo. São 2.500 escolas no Brasil e cerca de 500 mil alunos. Não só recebem material como treinamento para os professores. Na área de informática, nós atuamos de duas maneiras. Uma é a área de hardware. Nós fabricamos toda uma linha de computadores e vendemos em todo o País. Somos o maior fabricante nacional. Na área de software, temos dois portais educacionais: um portal para a educação básica, que todas as escolas utilizam diariamente (mais de 1 milhão de acessos diários), e desenvolvemos um portal universitário. É mais uma ferramenta para que todas as universidades possam colocar suas aulas dentro desse portal. Na área editorial e gráfica, nós temos a maior gráfica brasileira e filiada a Abigraf. Também imprimimos todos os livros que a editora vende e para terceiros. Fornecemos livros para o Programa Nacional do Livro Didático, a partir de nossa editora. É um trabalho de autores e criação. Nós editamos uma obra importante, que é o Dicionário Aurélio.
Como foi partir do campo educacional para uma área mais diversificada?
Tudo surgiu da educação. Quando começamos a fazer livros, fazíamos só para nossas escolas. Daí, outras escolas pediram para comprar o material e nós decidimos vender. Foi assim que surgiu a editora. Em 1972, tínhamos uma ´grafiquinha´ muito pequena. Com o tempo, começou a sobrar espaço e nós começamos a vender produção para fora e foi assim que ela se transformou nessa gráfica que é hoje. Na área de informática, tínhamos na universidade o ensino superior ligado a informática, tanto na engenharia da computação como no desenvolvimento de softwares. Em 1985, nós começamos a fabricar computadores e surgiu a indústria de computadores, que se desligou da universidade e criou vida própria.
Ao longo dos últimos anos, quais os setores que mais têm se destacado na atuação do Grupo e a quais fatores o senhor atribuiria a isso?
Os três setores continuam crescendo. A gráfica está adquirindo máquinas importadas novas. Na universidade, estamos ampliando o campus e construindo um teatro que será o maior do Paraná. Estamos construindo um centro de exposição só para congressos científicos e feiras tecnológicas. E com a nossa indústria de computadores, fomos inclusive para a Bolsa e abrimos capital. Em todos os setores, nós temos desempenhos favoráveis. A informática ficou maior agora porque estamos na Bolsa de Valores, tem mais visibilidade, ficou mais transparente, todo dia tem pregão. Então, ela cai na boca do povo. A medida provisória do Bem ajudou porque desonerou muito o setor de informática no Brasil. Quando tira a carga tributária, nossos produtos se tornam bastante competitivos. Hoje, por exemplo, se você viaja para os EUA, vê que aqui você compra computadores tão bons quanto lá. Então o contrabando perde o sentido. A queda do dólar também barateou o computador, além do acesso ao crédito.
E por que a sua se destacou?
É uma questão de você se colocar inteiro naquilo que faz. Sucesso é apenas um efeito colateral. Quando fizeram a Garota de Ipanema, garanto que não estavam preocupados com quantas cópias iriam vender. Então, quem está preocupado com o sucesso nunca vai fazer sucesso. Tem que se colocar por inteiro naquilo que faz e o sucesso é decorrência disso.
Como manter a alta de informática no País depois de um boom tão forte nos últimos dois anos? Como fazer para manter esse ritmo?
Há uma demanda crescente por informática. Há quanto tempo, por exemplo, surgiu o interesse pela televisão? Então, cada vez vende-se mais. Há também a reposição. Quando o produto começa a ficar obsoleto, precisa de reposição. A inclusão digital no Brasil está muito no início. Ainda há muito o que crescer no País.
De que forma aconteceu a seleção para fabricação de conversores para televisão digital?
Até agora, esse é um produto que vinha sendo planejado há bastante tempo, desde o início do ano. E está sendo fabricado na Zona Franca de Manaus. As vendas começaram praticamente na semana passada e, até agora, os indicadores que a gente tem são bons. Está vendendo muito bem. Por enquanto, só em São Paulo, mas a tendência é vender no Brasil inteiro, pois quem tem hoje uma TV, lógico que vai querer ter um conversor para adaptar a TV digital. É claro que isso não vai acontecer do dia para noite, mas nos próximos 4 ou 5 anos.
Esse mercado esbarra no preço. O preço do conversor ainda é muito alto. O que o poderia ser feito para baratear esse produto?
Se incluir o conversor na mesma lei, que desonerou a informática, o preço do conversor poderia baixar sim, sem dúvida. Além disso, todo produto novo — como os eletrônicos — sempre que surge é um pouco mais caro. Hoje, um aparelhinho de DVD está muito barato. Há quatro anos era bem mais caro. Aconteceu a mesma coisa com o computador.
E quanto ao preço. Por quanto acaba saindo hoje para o consumidor?
Eu não posso te dizer agora, porque mesmo que arrisque perto vou acabar errando. Mas posso dizer que a carga tributária ainda é muito alta. Mas já fizemos alguns contatos com o Governo para resolver isso.
Quando o Governo decidiu desonerar alguns setores da economia, a informática foi beneficiada. O setor já sente os efeitos dessa mudança?
Claro. Em todos os governos, no Brasil e no mundo, a política fiscal é uma estratégia de desenvolvimento. Quando você tem setores que são vitais para o desenvolvimento do País, o indicado é desonerar, mesmo que por algum tempo. Quando se quer desenvolver regiões também, que é o caso da Zona Franca de Manaus, por exemplo. Principalmente porque há um interesse nacional que a Amazônia seja realmente dominada por brasileiros. O Norte e Nordeste, por exemplo, têm benefícios fiscais porque há interesse de desenvolver aquela região. No caso da informática, um país que não tiver inclusão digital vai ser um país de analfabetos. Hoje, estar ligado à internet é uma questão de cidadania. É uma coisa muito importante para o desenvolvimento da educação. Então, mesmo que eu não fosse do setor, eu apoiaria muito a desoneração da informática como cidadão. Educação é fundamental. Existem outros setores que têm benefícios fiscais por questões estratégicas.
Na avaliação do senhor, quais os principais desafios para promover a inclusão digital no Brasil?
O principal desafio, não só para a inclusão digital mas para o desenvolvimento do País, é a qualidade da educação. E sobretudo, da escola pública, na educação básica. Nós não podemos mais chegar na 8ª série com meninos sem saber ler e escrever. Nos testes internacionais que estamos fazendo, ficamos para trás. E isso é uma vergonha. Nós investimos pouco no professor, precisa ter outro tipo de gerenciamento, precisa mais cobrança, mais treinamento. Quanto mais educado for o povo, maior será a necessidade de recursos como computador, internet. É claro que o analfabeto não vai usar o computador. Hoje o preço do computador não é mais problema para a inclusão digital. Já é possível comprar com parcelas de R$ 140 por mês. Existe a mercadoria, ela está disponível. A telefonia progrediu muito. O que precisa mesmo é mais educação para o povo. Não existe mais nenhuma barreira para a inclusão digital.
LEÔNIDAS ALBUQUERQUE
Repórter
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Divisão da marca
Fundado em 1972, o Grupo Positivo tem, hoje, cerca de 6 mil funcionários e atua em três áreas: educacional, editorial e informática. No ano passado, o faturamento do grupo foi de R$ 1,850 bilhão. A Positivo Informática é uma empresa de capital aberto, listada na Bovespa desde dezembro de 2006. Nos nove primeiros meses deste ano, este braço do grupo alcançou faturamento de R$ 1,4 bilhão, enquanto no ano passado, foi de R$ 1,3 bilhão. Em 2004, o a empresa registrou venda de 101,2 mil computadores, subindo para 379,4 mil, no ano seguinte, e 834,7 mil, em 2006. Até o terceiro trimestre deste ano, foram 940,8 mil unidades, o que representa um crescimento de 76,6% em relação ao mesmo período de 2006. Neste ano, a Positivo Informática já vendeu 106,1 mil PCs a mais do que em todo o ano passado. No acumulado do ano, as vendas de notebooks se destacaram, respondendo por 133,1 mil unidades, um crescimento de 505,0% em relação aos três primeiros trimestres de 2006. A receita bruta totalizou R$ 1,4 bilhão de janeiro a setembro de 2007, sendo o segmento de Hardware responsável por 97,2% desse valor. A Positivo Informática é hoje a maior fabricante de computadores do Brasil e líder em tecnologia educacional, também exportada para vários países do mundo. Na área educacional, o grupo atua nos segmentos público e privado desde a educação infantil ao ensino superior, por meio de sistemas de ensino, portais de conteúdo educacional na internet e de suas unidades próprias. Na área editorial, a atuação se dá com a Editora Positivo e a Gráfica Posigraf.
Fonte: Diário do Nordeste
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